Defender índios ou agricultores pobres?

A onda do momento, embora alguns digam o oposto, não se trata dos “rolezinhos”. A onda do momento – que, aliás, já vem sendo assim há algum tempo – são os “movimentos sociais”. Apesar do fim em si aparentemente idôneo, os movimentos sociais servem mais para defender e trabalhar por militantes profissionais do que defender o “povo” real, aquele que trabalha e tenta ao menos chegar ao fim de cada dia, apesar de toda a “boa vontade” alheia. De “social” tais movimentos só possuem o nome.

Movimentos, apoiados por ONGs usurpadas por militantes, são os principais causadores da expulsão de 6 mil camponeses pobres e analfabetos de suas casas no Maranhão dos Sarney. Tal assunto só não foi coberto pela imprensa porque começou a ocorrer ao mesmo tempo em que os esquartejamentos prisionais começaram a pipocar. A Capitania Hereditária Sarneyzista vai muito além de problemas carcerários. Mas, isso a Globo não mostra: não quer se indispor com a Rede Mirante, retransmissora do canal no Maranhão e, quem diria, de propriedade de Sarney.

A expulsão ocorreu sobre o pretexto de dar mais terras aos índios, desta vez aos da etnia awá-guajá. Segundo o Incra/Funai e tantos órgãos tomados pela antropologia fuleira, os 13% do território total do Brasil não são suficientes aos pouco menos de 800 mil índios no país. Isso quando os mais de 200 milhões de brasileiros habitam apenas 11% do mesmo território nacional.  Já parece exagero, mas para alguns “indigenistas” é pouco. Paulo Maldos já declarou a interlocutores que os índios devem ter no mínimo 25% do território brasileiro à sua disposição. Mas, quem é Paulo Maldos? Sendo o Secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência, obviamente, não se trata de um zé-ninguém.

Paulo Maldos, utilizando da articulação mais rasteira – isso sendo Secretario de Articulação Social – disse que os tais agricultores maranhenses plantavam maconha e praticavam extração ilegal de madeira em suas terras e, assim, podiam ser despejados. Provadas a mentira e a difamação, desculpou-se. Mas, continua insuflando o confronto entre índios e agricultores, muitas vezes pobres, em todos os recantos do país. Os agricultores expulsos no Maranhão são simples e não se enquadram na caricatura de latifundiários. São trabalhadores que tentam cuidar de suas plantações honestas, apesar de Paulo Maldos. Entretanto, os índios são mais importantes. Interessante que o “awá” de “awá-guajá” signifique “gente”. Para o Rousseau da Secretaria-Geral e os movimentos sociais e ONGs por trás desse despejo, os agricultores não são pessoas. Não são “awá” para serem dignos de terra e teto.

Os movimentos sociais ligados à questão indígena querem é expulsar gente de suas terras e entregá-las aos índios. Depois, não se interessam mais. Índio com reserva indígena garantida é índio sem utilidade política. Não dá para fazer proselitismo político-social com índio bem acomodado. Aliás, não são apenas tais agrupamentos que se esquecem dos índios. O governo também faz vista grossa para eles, não apenas deixando de prover assistência social, mas deixando que façam o que quiserem – tornam-se acima das leis. Como esquecer de índios tenharins cobrando pedágio de caminhoneiros que passavam pela Transamazônica, uma rodovia federal?

Apesar de muitas terras, depois de serem entregues aos índios, apresentarem sinais de que foram tomadas, quase em sua totalidade, pelo garimpo e por retirada e comércio ilegais de madeira, os “indigenistas” profissionais querem mais. Até desocupam e desabrigam agricultores pobres para isso.

Em outros momentos, em outras reivindicações de terras, o argumento de que se trata de latifúndios exploradores até chegava a iludir certos grupos. E, agora, em se tratando de agricultores pobres e analfabetos, quem defende a causa indigenista sem se contradizer?

Assistam: http://www.youtube.com/watch?v=4Z7eqQFY8LQ&hd=1

Felipe Vitti (Virge)

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